Domingo, 07 de Junho de 2009

O senhor pediu-me que por favor lhe segurasse a escada que jactante se erguia contra a parede do edifício. Eu tinha muito que fazer e por isso fiz, por todos os meios à minha disposição, com que o senhor entendesse que só o poderia fazer por um instante, contudo faria-o de bom grado. Ele garantiu-me que não demorava mais do que isso e então chegámos a um acordo. Eu segurei-lhe a escada e ele subiu por elas acima, e chegado ele quase ao último degrau eu tive de correr para os meus afazeres, como lhe havia feito entender, e escusado será dizer que ele se estatelou redondo no chão, como eu tacitamente o havia alertado. Enquanto corria eu a passadas largas ao encontro dos meus deveres profissionais, ele gritou-me, "Era só um instante, tinha-me prometido!" E eu obviamente respondi, "Sim, e segurei o instante que me pediu. Mas pelos vistos existem vários tipos de instante." E deixei-o segurando a cabeça que sangrava abundantemente.



publicado por Mário Ramos d´Almeida às 18:33
Da infância, da vida e da morte.
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