Domingo, 14 de Junho de 2009

Sonho. Sou um eminente arqueólogo. Descobri o sarcófago que contém o segredo que salvará a humanidade inteira. Sussurro o segredo ao meu ajudante e tranco-lhe o ouvido à chave. Entro numa sala contígua à sala do sarcófago. As paredes são arenosas e o chão poeirento. O pó passeia-se tranquilamente pelo meu corpo adentro, desde o intimo dos pulmões à ponta dos dedos dos pés. Temo que a qualquer momento se levante uma tempestade de areia dentro da sala. Temo que os insectos que não estão aqui se alimentem dos meus olhos. Sou muito temeroso. Procuro uma porta por onde possa sair mas só encontro um buraco na parede onde não cabe mais do que um dedo. Além disso, um pequeno fio de pedra atravessa o buraco verticalmente. Pressiono o meu dedo indicador contra o fio de pedra que se quebra com facilidade. Atravesso o dedo pelo buraco afora e o meu corpo segue-o. Estou fora da sala. Reparo que deixei o meu ajudante lá dentro. Não fosse o facto de o segredo me ter fugido da memória tê-lo-ia lá deixado. Assim sendo, volto à sala. Primeiro o dedo, depois o corpo. O meu ajudante está muito agitado. Sacudo-o pelos ombros e peço-lhe que por favor se acalme. Dou-lhe uma palmada nas costas receando que o segredo lhe tenha ficado preso na traqueia. Pergunto-lhe por ele. Esqueceu. Bato com a mão na testa. Sorte malvada! Estou furioso e quero sair da sala. Encaminho-me para o buraco. Espanto meu, está um homem do outro lado do buraco. Empunha uma grande espátula de pedreiro e sobre ela um grande pedaço de cimento fresco. O homem fita-me dentro dos olhos. Apressa-se sobre o buraco, tira um pedacinho de cimento do grande pedaço de cimento fresco sobre a espátula e reconstrói o fio de pedra. Agora afasta-se a sorrir. Olho em volta e não encontro o meu ajudante. Decido sair da sala. Pressiono o dedo contra o fio de pedra, mas este é mais resistente do que o primeiro. Tenho medo. Tenho muito medo. Estou em pânico. Quero sair. O homem ri. Perdi o meu ajudante. Não lembro o segredo. Desato a gritar, "Quero sair, quero sair! Por favor, deixa-me sair!" E é então que o empregado do café me ordena que saia debaixo da mesa enquanto a minha namorada, enfurecida, cora de vergonha.



publicado por Mário Ramos d´Almeida às 19:03
Da infância, da vida e da morte.
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